Análise: Metroid Dread

Há quase 20 anos atrás era lançado para o GBA Advance Metroid Fusion, até então o último capítulo da saga Samus Aran. Finalmente nesse ano de 2021 a Nintendo resolveu lançar sua continuação direta, Metroid Dread e o resultado você saberá logo abaixo.

FICHA TÉCNICA

Desenvolvido por: Mercurysteam

Publicado por: Nintendo

Gênero: Metroidvania

Série: Metroid

Lançamento:  08 de outubro

Classificação indicativa: Livre

Modos:  1 jogador

Disponível para: Switch

UM POJETO DE 15 ANOS

Inicialmente Metroid Dread era um projeto da Retro Studios de 2006, logo após o estúdio ter finalizado Metroid Corruption de Wii. Pelo que se sabe, o estúdio reiniciou o projeto 3 vezes antes de abandonar o projeto e partir para outros desenvolvimentos.

Em 2017 a Nintendo procurou o estúdio Mercurysteam, a mesma que criou os três Castlevanias da trilogia Lord Lord of Shadow. Em especial, a versão de Castlevania Lord of Shadow: Mirro’s Fate de Nintendo 3DS (portado tempos depois para PS3 e X360), teve uma boa aceitação dos jogadores e isso fez a Nintendo levar o projeto “Samus Returns” para eles.

A Mercurysteam conseguiu fazer um belo remake do segundo game da franquia Metroid, que havia sido lançada somente para o Game Boy. Metroid Samus Returns para Nintendo 3DS foi muito bem avaliado e recebido pelos jogadores, fazendo assim com que a Nintendo levasse o projeto “Dread”, outrora esquecido em alguma gaveta da Big N, para que a Mercurysteam pudesse dar vida ao jogo.

E enfim, Metroid Dread ganha a luz do dia e com toda certeza teve um trabalho muito bem feito tanto pela parte da Mercurysteam, quanto para alguns funcionários internos da Nintendo que também fizeram parte desse jogo.

A FEDERAÇÃO GALATICA E SEUS PROBLEMAS

O jogo se inicia com Samus recebendo um chamado da Federação Galáctica pedindo para que ela vá até o planeta ZDR e verificar duas coisas: A primeira é o desaparecimento de 7 robôs da Federação chamados de E.M.M.I. O segundo é verificar se realmente existeainda vivos espécimes com o parasita X! Que supostamente haviam sido erradicados por Samus em Metroid Fusion.

Assim que Samus chega ao local é confrontada por um guerreiro Chozo e é abatida quase que instantaneamente. Ao acordar, Samus descobre que todos os seus upgrades, que ela havia conquistado em sua jornada em Fusion simplesmente desapareceram! Obrigando-a a sair por ai buscando novamente por seus equipamentos e melhorias, algo que já é tradição da série: Começar o jogo perdendo tudo que ela tem.

UMA AULA DE LEVEL DESING

A Mercurysteam está de parabéns em dar vida para Metroid Dread, isso porque ela deu uma aula de como criar level desings nos games! Todo o mapa é conectado de forma orgânica e por mais longe que você vá no mapa, de alguma forma ele se conecta à algum lugar que você já passou. Vale lembrar que em Metroid Dread não temos os temidos “Softlock”, ou como é conhecido, lugares que travam o jogador. Vou dar um exemplo disso: Você já jogou um game na qual chegou em algum lugar e se viu preso no local? Não tinha para aonde ir e o jogo não te falava o que fazer? Pois bem, isso é um softlock. Isso se dá quando o jogador chega em algum lugar que ele não deveria de estar sem um upgrade ou algum item e o jogo interpreta que você tem tal melhoria ou item e te deixa ali preso, sem possibilidade de sair. Em Sonic 2 de Mega Drive temos um bom exemplo disso, na fase Mystic Cave, na qual se você estiver no formato de Super Sonic, poderá cair em um buraco bem fundo no segundo estágio da fase. Lá no fundo o chão é todo composto de espinhos e o Super Sonic é imune a espinhos. Conclusão? Como o buraco é fundo demais, Sonic não consegue alcançar a borda do buraco, e em sua forma de Super, ele não recebe dano. Cabe apenas ao jogador esperar acabar os anéis para que ele volte ao normal e morra no espinho, ou que o timer chegue em 10 minutos e assim Sonic possa morrer e voltar do último Checkpoint.

Uma das coisas mais frustrantes em games no estilo Metroidvania é ficar preso em algum local, ou mesmo chegar em um boss sem os upgrades necessários para derrotá-lo. Aqui em Dread, o game te estimula à explorar e buscar por itens e upgrades em todas as partes. Vale lembrar que assim como nos primórdios da série, Dread também possui vários itens escondidos dentro de paredes, no chão, ou alguns que se revelam ao usar algum míssel e coisas do tipo.

O jogo em si é lindo para os padrões do Nintendo Switch e cada bioma é estiloso e muito bem trabalhado dando assim ao jogador uma grande variedade de locais na qual ele pode e deve explorar.

A CAÇADORA SENDO CAÇADA

Posso dizer que Metroid Dread é a evolução natural de Samus Return isso porque em Dread a Mercurysteam reutilizou a mecânica de “Parry”, introduzido em Samus Return. Aqui, essa mecânica ficou ainda mais refinada e ao se utilizar de forma correta, pode causar “stun” (atordoamento) no inimigo e abrindo uma pequena brecha para um ataque critico. Além disso, foi introduzido também um modo “stealh” em que Samus precisa passar em certas partes de forma furtiva próxima dos robôs E.M.M.I que a perseguem o tempo todo. Essa mecânica não foi colocada de qualquer forma e sim de um jeito obrigatório que o jogador precisa aprender a utilizar para não deixar o game ainda mais dificil.

Já que eu citei a dificuldade, para aqueles que nunca jogaram um game da franquia antes, vai sentir que o game é bem desafiador e até certo ponto, bem difícil. Para quem já está acostumado com a franquia, vai se sentir em casa com a dificuldade e a exploração.

Eu vi pela internet à fora que muitas pessoas reclamaram que o game não tem a opção de escolher o nivél de dificuldade, mas para quem conhece a franquia desde o primeiro Metroid de 1986 sabe muito bem que, quanto mais explorar o mapa, mais upgrades são encontrados e estes fazem com que a jogatina se torne muito mais fácil. Um exemplo disso é a quantidade de Tank que é encontrado na partida. Se uma pessoa encontrar apenas uns 4 ou 5 tanks, com toda a certeza ela terá dificuldades em enfrentar os bosses do jogo, já que a quantidade de HP de Samus está muito baixa. Agora se a pessoa encontrar pelo menos uns 7 tanks ou até mesmo todos eles, perceberá que o game ficou bem mais fácil.

VALE A PENA?

Com toda a certeza Metroid Dread vale cada centavo que você pagar nele. É um game completo, bem feito, bonito, com uma trama sombria que nem de longe lembra os mundos fantasiosos e coloridos dos outros jogos da Nintendo. Veja bem, a Nintendo nunca foi muito fã da franquia e sempre à deixou de lado pois para ela, o que importa é games que vendem bem e Metroid nunca foi uma franquia que vendesse bem. Não até Metroid Dread, pois esse game está vendendo super bem, dando um lucro lascado pra Nintendo e mostrando para a mesma que, não só a franquia Metroid é muito querida e relevante, como o ambiente 2D ainda é muito querido e amado por muita gente! Que venha Metroid 4!

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