Estamos no de 2000, GranTurismo reinava absoluto como um game de simulação nos consoles caseiros. O alto escalão da SEGA japonesa, cansada de só converter games de corrida no estilo “arcade” para o Dreamcast, mandaram que fizessem um “Gran Turismo Killer” e disso nasceu SEGAGT. Será que ele “matou” Gran Turismo ?

FICHA TÉCNICA

Desenvolvedora: WoW Entertainment
Produtora: SEGA
Gênero: Corrida/Simulador
Lançamento: 17 de fevereiro de 2000
Jogadores: 1 à 4 jogadores
Plataforma: Dreamcast, PC

A SEGA sempre foi campeã em jogos de corrida nos arcades, sempre trazendo jogos cada vez mais divertidos e viciantes. Só que isso nem sempre se materializava quando eram portados para os consoles caseiros.  Veja bem, os jogos eram sim divertidos, mas jogar um game de corrida que tinha um timer para se chegar em um checkpoint era um tanto chato. A gente queria correr livre, sem ficar preso no tempo. Esse esquema era bom nos arcades, mas não consoles nem tanto.

Depois que a PolyphonyDigitalveio e trouxe GranTurismo, os games de corrida ganharam uma maturidade enorme. Os jogadores só queriam saber de tirar a licença no game e assim começar a competir com uma variedade gigantesca de provas e eventos.

Sendo assim, a SEGA queria derrubar essa supremacia de GT e trouxe para o DC ,SEGA GT.

É diferente, um diferente estranho…

Seguindo o esquema de GT do PS1, SEGA GT também traz as licenças, só que diferentes…

Em GT as licenças servem como um treino lhe ensinando a frear no ponto certo, fazer uma curva na tangencia correta ou simplesmente correr uma volta inteira em uma pista sem bater em nenhum outro veículo ou fazer o Carro sair da pista.

Aqui em SEGA GT você escolhe o carro que automaticamente está atrelado à uma pista e precisa bater o tempo da mesma. Detalhe: se você, jovem corredor, bater o terceiro e segundo tempo, já estará apto para disputar os eventos de corrida, mas somente se você bater o primeiro tempo é que você terá acesso à uma corrida especial e se chegar em primeiro, ganhará o carro dessa licença, mas modificado e muito mais rápido. O problema aqui é que bater o primeiro lugar é super difícil e exigirá muita paciência e dedicação. Se você estiver jogando a versão japonesa será ainda pior pois o primeiro tempo é quase impossível de se batido e além disso, não tem a opção “Retry”, então, se você  viu que não vai bater o tempo, terá que dar “Quit” selecionar a licença, o carro, ver o load da pista e só aí correr novamente. Poxa SEGA.

Seguimos agora para os eventos, que é o modo Carreira aqui. Os eventos são simples: Correr com um carro do tipo C (carros bem fracos e lentos), originais de fábrica, eventos na qual o carro pode ter algumas modificações e vamos avançando até participar de eventos nas quais podemos correr com os carros “Concept”, que são aqueles carros que praticamente voam na pista.

Esses eventos são patrocinados por empresas de verdade, do mundo real e são diferentes das versões japonesas e americanas. Na versão JP tempos patrocinadores como Nissim, Ajinomoto, Fuji. Já na versão USA temos Mcdonalds,Pizza Hunt e Burger King.Sempre que ganhamos uma corrida, ganhamos o dinheiro da corrida, um carro novo e uma graninha do patrocinador. É aqui que dá pra fazer uns esquemas maneiros, por exemplo: podemos correr, ganhar o prêmio,  ganhar o carro, pegar o carro que ganhamos e vender. Assim da pra fazer uma caixinha de dinheiro bem legal.

Falando em vendas, temos o “Car Lot” aonde podemos comprar carros novos e também vender os nossos carros. Um toque legal aqui é que temos uma opção de comprar carros usados, ideais para quando começamos a participar de eventos e não temos grana para comprar um carro novo.

SEGA GT não seria um competidor de Gran Turismo se não tivesse a opção “Tunning” aonde podemos equipar peças, trocar o motor por modelos de rua e corrida, tipos diferentes de pneus e drive train. Além de colocar as pecas, podemos mexer de forma mais profunda em cada uma delas como o torque das marchas e a aero dinâmica  dos aerofólios.

Bonito, mas complicado de se controlar

Sem sombra de dúvidas SEGA GT era em sua época, o game de corrida mais bonito até então. Ver um Mitsubishi FTO ou um Nissan Silvia em “alta definição”. Logicamente se comparado a GT, os carros são muito mais bonitos e mostram reflexos das luzes dos postes e até o reflexo do sol. E o que falar da iluminação à noite? São lindas! A bem da verdade é que as luzes dos postes ou mesmo as luzes dos prédios são bem realistas e deixam o game muito mais bonito.

As pistas também são muito bonitas, mostrando localidades bem feitas e até mesmo uma pista que ocorre de noite, em meio a cidade. Mas essas pistas não são baseadas em pistas de verdade, são todas criadas do “nada” e por isso elas são muito problemáticas.

Meu amigo, se você conhece a SEGA deve de saber que ela, melhor do que ninguém, era pioneira em game de corrida, sempre trazendo games divertidos e pistas das mais interessantes possíveis. Mas em SEGA GT as coisas não são bem assim, as pistas aqui são estranhas, as curvas não são boas, por vezes elas são muito fechadas e nos obrigando a praticamente parar o carro para fazer a curva. Curvas no formato em “L” ou em “V” são corriqueiros aqui, além das pistas não terem uma forma correta de se correr, não tem o lado “sujo” da pista que geralmente é o traçado certo para se correr.

E para piorar, temos a jogabilidade. Meu caro eu não pude jogar SEGA GT com o controle volante do Dreamcast, até porque ele é raríssimo e super carro, então joguei no controle mesmo e olha, foi um parto. Quando joguei esse game pela primeira vez lá em 2000, eu passei muita raiva para controlar os carros, agora 20 anos depois, continuei passando raiva! Pura nostalgia do ódio!

Podemos controlar o carro com o D-pad ou no analógico. No D-pad a resposta do carro é lenta demais e por vezes temos que segurar com força a direção que queremos que o carro vá  já no analógico o carro responde muito rápido demais e temos de dar leves toques no analógico para para o carro virar para aonde queremos. Quase temos que assopra no analógico tamanha a sensibilidade dele.

Os carros não reagem de forma realista na pista e por vezes parece que estamos controlando uma bola  de Pinbal pois o carro fica batendo de um lado para o outro sem parar. Parece que tem gelo ou geleia na pista pra deixar o carro sambando na corrida.

Desligue o som por favor

As músicas de SEGA GT são horrorosas, é incrível como a SEGA, empresa que sempre trouxe músicas lindas em seus games, foi tão negligente em SEGA GT. Nenhuma música do game é memorável ou pelo menos serve para ficar de fundo nas corridas. E o que falar do som dos carros? Na verdade, que sons? O som que os carros emitem são uma piada. A SEGA deve captado os sons de um microondas ligado, um ventilador de teto ou um secador de cabelo e colocaram nos carros desse game. Os carros possuem um som tenebroso. Nem de longe se parecem com o ronco de um motor.

Pra fechar, existem diferenças entre a versão japonesa e americana, primeiro delas é o Retry que não existe na versão japonesa e deixando o jogo mais tedioso. A outra diferença é na disposição das opções de jogo. Na versão JP temos que entrar no modo Carreira, ir na opção de licenças e lá também podemos participar dos eventos. Para salvar o progresso, temos que sair da onde estamos, voltar para a tela inicial e lá ir em Save/Load e enfim salvar o progresso. Na versão USA temos ícones separados que indicam da melhor forma as opções que o game tem a nos oferecer. Que ir para a garagem? Tem o ícone da garagem, quer ir salvar o progresso? Tem o ícone para isso.

Agora a maior diferença é que a versão JP tem o modo “Carrozeria” na qual ganhamos chassi de carros nos eventos e podemos montar o nosso próprio carro. Podemos criar carros que nem existem oficialmente no game como Porshe ou Ferrari. A versão USA não tem essa opção pelo fato de poder criar carros que não estão oficialmente no game e isso poderia dar problemas e também porque tinha pessoas desocupadas que criaram carros parecidos com os carros que a SS alemã  usava na Segunda Guerra Mundial. Em contra partida, a versão USA ganhou alguns carros da montadora Ford e Dodge que não existem na versão JP.

                Vale a pena?

SEGA GT foi uma ótima ideia da SEGA que infelizmente foi mal executada. O game possui lindos gráficos para a época, carros muito bem feitos e muitas montadoras conhecidas, mas as pistas estranhas e a jogabilidade horrorosa fazem até mesmo os mais viciados em games de corrida fugirem dele. Pegue somente por curiosidade. Infelizmente o game não chegou nem perto de perturbar o reinado de Gran Turismo e de “Killer” ele mesmo se matou por causa dos seus problemas e falhas.

Hoje em dia você pode jogar SEGA GT no próprio Dreamcast , no PC, emuladores ou em Retrô Box. A sua versão americana é de longe melhor que a japonesa mas também muito difícil de encontrar e quando consegue encontra-lo, custa mais de R$500,00. Já a versão japonesa é mais fácil de encontrar, geralmente não passa de R$100,00, mas é um game muito mais difícil do que a versão USA.

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